‘Só quero que meu filho ganhe peso para chegar em casa’, diz mãe de bebê sequestrado no Imip

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Três dias após voltar a ter o filho nos braços, Luana Maria da Silva relata que convive com a pressa para que Gabriel, de 17 dias, ganhe peso e possa ir para casa, em Paudalho, na Zona da Mata. O menino foi sequestrado no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), no bairro dos Coelhos, no Centro do Recife, no sábado (20), e localizado no dia seguinte.

Gabriel nasceu aos 8 meses e segue internado na capital. Luana está na enfermaria, junto com outras mulheres, acompanhando a evolução do bebê. “Eu só quero que meu filho ganhe peso logo para chegar em casa”, diz a mãe, que prefere não lembrar do desespero com o sumiço do pequeno. A mulher que o levou, Eliane Antônia de Oliveira, de 47 anos, responde em liberdade.

Nesta quarta-feira (24), Luana se mostrou otimista e contou o filho está mantendo o peso, ou seja, não emagrece, nem engorda. “Ele está em amamentação exclusiva e não toma suplementos, mas estamos bem, graças a Deus”, afirma.

Por meio de nota, o Imip confirmou que Gabriel ainda não recebeu alta da unidade. A expectativa da mãe é que até a sexta-feira (26), a criança apresente uma evolução no ganho de peso. Quando for liberado, o desafio é o caminho até a casa.

Luana não tem celular e tem se comunicado com a família através de outras famílias que estão na enfermaria do hospital. O pai da criança retornou para Paudalho devido às dificuldades financeiras para se manter na capital, segundo parentes. Para voltar para casa, a mãe de Gabriel espera conseguir carona.

“Espero que alguma ambulância aqui do Imip possa me levar. Ou que alguma de Paudalho possa me buscar”, aponta.

A irmã de Luana, Amanda Mirely, de 23 anos, vai ser madrinha da criança e está preocupada com o transporte. “Não conseguimos informações do hospital, nem temos dinheiro para buscar ela. Não podemos deixar Luana vir sozinha, mas não sabemos como fazer”, afirma.

Relembre o caso
O sequestro ocorreu na noite do sábado (20) e o boletim de ocorrência foi registrado na madrugada do domingo (21). Luana contou, na ocasião, que deixou a criança sob os cuidados de outras mães num dos quartos do Imip para acalmar o marido, que tinha se envolvido numa confusão com os seguranças do hospital.

Quando voltou, ela foi informada pelas outras mulheres que uma senhora, dizendo ser mãe do companheiro de Luana, havia levado a criança, supostamente para se alimentar no banco de leite da maternidade. Foi aí que o drama da família começou, sem notícias sobre o bebê desde então.

A investigação policial seguiu, a princípio, duas hipóteses: a de que o bebê havia sido retirado do hospital pela própria família e a de sequestro. Depois de o pai do recém-nascido ter sido interrogado, a primeira situação foi descartada.

Após sete horas de investigações, ocorreu o encontro da mãe com o recém-nascido. O delegado Cláudio Neto, que trabalha oficialmente no segmento de homicídios, estava de plantão no domingo e pediu autorização para continuar com o caso. Ele entregou pessoalmente Gabriel a Luana e disse que se emocionou com o reencontro.

Eliane Antônia de Oliveira, de 47 anos, alegou aos policiais que, por ter perdido um filho um mês antes, ficou deprimida e resolveu ir ao hospital para levar um bebê para casa. Essa versão ainda é investigada.

A mulher responde, em liberdade, pelo crime de “subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude da lei ou ordem judicial, com o fim de colocação em lar substituto”, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

A liberdade provisória foi concedida sem necessidade de pagamento de fiança. Eliane precisa cumprir medidas cautelares como comparecimento bimestral à Justiça para justificar suas atividades, recolhimento domiciliar após as 22h e proibição de ausentar-se do Recife sem autorização judicial.

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