Suspeito pelo assassinato de Marcela, em Olinda, é preso pela Polícia Civil

169

A Polícia Civil de Pernambuco prendeu, na tarde desta sexta-feira (29), Denilson Andrade da Silva, de 28 anos, o suspeito pelo assassinato de Marcela Gomes Leite, 32 anos, morta a facadas na última terça-feira (26), em Aguazinha, Olinda. O suspeito foi preso preventivamente por 30 dias no Centro de Observação e Triagem Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, e foi indiciado por latrocínio (roubo seguido de morte).

Por ora, o crime não será qualificado como feminicídio. À Polícia, o suspeito confessou o arrombamento do imóvel, o roubo e o assassinato de Marcela, mas negou violência sexual. O resultado do exame sexológico está sendo esperado.

De acordo com a Polícia Civil, a prisão de Denilson aconteceu no município de Itaquitinga, na Zona da Mata Norte do Estado, após o juiz Hugo Bezerra de Oliveira, da Comarca de Olinda, expedir um mandado temporário contra o suspeito. A faca peixeira utilizada no crime foi localizada enterrada no quintal da casa do avô dele, também morador de Aguazinha.

Denilson foi conduzido por volta das 19h50 ao Instituto de Medicina Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, no Recife, onde será submetido ao exame de corpo de delito. De lá, ele seguirá para o Cotel. Mais detalhes da prisão e das investigações serão repassados à imprensa em coletiva com a delegada Fabiana Ferreira na Delegacia de Homicídio de Olinda. “Vamos passar todos os detalhes a respeito da investigação em entrevista coletiva”, disse a titular do inquérito, sem especificar a data dessa coletiva.

Familiares
“Ele conhecia todo mundo da família. Levou R$ 3 mil, celular e a bolsa com documentos da minha irmã”, disse, emocionada, a irmã da vítima, Joyce Gomes, acusando a família do suspeito de acobertá-lo.

Joyce negou que o homem tivesse interesse em Marcela. “Ele queria roubar e estuprar mesmo. Ficava perguntando às mulheres de lá se moravam sozinhas. Ele queria saber, ele gostava de vítimas sozinhas. A gente quer justiça, só nós sabemos o que estamos passando, minha mãe, minha família. A relação (com o suspeito) sempre foi cordial. A gente nunca esperava que ele fosse fazer uma coisa dessa.”.

A irmã da vítima disse ainda que, segundo vizinhos, Denilson dizia pela comunidade que “ia fazer uma coisa em Aguazinha que ficaria para a história”.

“Qualquer coisa que se faça não vai trazer a vida dela de volta. Eu vim aqui só pra ver a cara dele, mas nada vai trazer a vida dela de volta. Isso é pra mostrar à população que ninguém deve confiar em ninguém. Ele era nascido e criado ali no bairro, a gente dava o maior apoio a ele. A gratidão dele foi essa aí, tirar a vida de uma pessoa que não fazia mal a ninguém”, disse o pai de Marcela, Márcio Miguel Ferreira, 50.

O caso
Marcela foi morta com 30 facadas dentro da casa onde morava, no bairro de Aguazinha, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. O crime aconteceu na manhã da última terça-feira (26). O corpo de Marcela foi encontrado dentro de casa por familiares.

Segundo a delegada Fabiana Leandro, da Delegacia de Homicídios de Olinda, Marcela pode ter sofrido violência sexual, já que ela estava despida. A investigadora solicitou exame sexológico. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento que um homem aparece, na calçada da casa da vítima, limpando as mãos nas roupas.

Marcela, que trabalhava como auxiliar de ensino, morava com a filha, mas a menina não estava em casa na hora do crime. O imóvel estava revirado, e os vizinhos informaram que não ouviram nenhum barulho.

Moradores do local pedem justiça. “Esse crime deixou todo mundo da comunidade perplexo. Ela era uma pessoa excelente. Não é envolvida com nada relativo a criminalidade. É uma morte bárbara, absurda e pedimos justiça para que esse caso não fique impune”, disse Ítalo Lima, vizinho da vítima.

Nas redes sociais, os amigos de Marcela também ficaram surpresos. “Estou com minha alma chorando. Ela era uma pessoa tão do bem, respeitosa, trabalhadora e que nunca fez mal. Só Deus pra consolar o coração das pessoas que a amavam”, disse Jacqueline Marques.