Tensão e alívio tomam conta dos recifenses no jogo do Brasil

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Antes da bola rolar o clima era de muita alegria e descontração, entre os milhares de torcedores presentes, na manhã desta sexta-feira (22), no Cais da Alfândega, no bairro do Recife Antigo. Banda de frevo e bonecos gigantes faziam a festa dos recifenses que acordaram cedo para acompanhar o jogo do Brasil na capital pernambucana. Muitos falavam em goleada e da facilidade que a Seleção iria encontrar diante da Costa Rica. Mas, foi só até o apito inicial do árbitro. Com a bola rolando, um misto de agonia com frustração foi tomando conta da torcida, principalmente pelo fraco primeiro tempo apresentado pelo time comandado por Tite, que terminou em 0x0.

Na segunda etapa a tensão continuou nos rostos dos presentes até os acréscimos. Não restavam mais unhas para serem roídas, até o alívio com os gols anotados por Coutinho e Neymar. O estudante de gastronomia Otonielton José esperava um jogo mais fácil e com menos sofrimento. “Eu acreditei que sairia um gol logo no começo, e depois o time iria deslanchar. Mas, a Seleção estava muito tensa, mais do que nós, inclusive. Quando a Seleção foi evoluindo no campo, passamos a acreditar na vitória. Depois do gol do Coutinho deu aquela aliviada. Percebemos que depois que fez o primeiro, os espaços apareceram mais e, graças a Deus, fizemos o segundo com Neymar”, disse o jovem de 18 anos.

Com tantas seleções grandes tropeçando nesta Copa, o medo que o Brasil também deixasse a desejar, contra a Costa Rica, era nítido nas opiniões entre os torcedores que acompanhavam o jogo no Cais da Alfândega. Segundo Luan Felipe, 26, o sentimento é de que nada vem fácil no Mundial. Ele já imaginava que o time canarinho não teria moleza no jogo desta sexta. “Sabia que o jogo seria assim (complicado). Eles jogam muito fechados, e a arbitragem ainda prejudica no lance do pênalti. Temos que ficar ligados, porque passando de fase, a tendência é pegar seleções mais fortes”, contou o contador, que aproveitou para elogiar um atleta que saiu do banco.

“O grande responsável pela vitória, para mim, foi Douglas Costa. Entrou bem pelo lado direito. Foi incisivo, coisa que o Willian, neste jogo, não estava sendo.”

Torcedor símbolo da Seleção, o rubro-negro Seu Ferreirinha, de 83 anos, mostrou bastante otimismo com a equipe comandada por Tite. Dono de um acervo com objetos do Sport e do time canarinho em seu apartamento, ele acredita que o Brasil vai longe na competição. “Empatamos o primeiro jogo, mas ganhamos hoje e vamos ser hexa! Esse time é só alegria. Estamos muito bem, e passaremos por cima de todos nesta Copa”, falou em tom confiante.

Caracterizado com bandeira, taça da Copa, camisa e óculos verde-amarelos, ele aproveitou para cutucar a Argentina e dizer quem deseja ver contra a Seleção, em uma possível final de Mundial. “Gostei da derrota da Argentina. Eles se “acham” muito. Messi e Maradona choraram diante da Croácia. Agora, em relação ao Brasil, na final eu quero que encontremos a Alemanha. Temos que descontar aquele 7×1 de quatro anos atrás.”.