Tentativa de feminicídio no Recife tem procedimento judicial inédito no País

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Acusado de tentativa de feminicídio na capital pernambucana há três meses, Michel Charles Santos Bezerra foi submetido à audiência de instrução conjugada no Fórum Thomás de Aquino, no Recife, na manhã desta quarta-feira (17). A vítima da tentativa de feminicídio seria a própria companheira do suposto agressor, Ana Paula da Cunha Silva.

A audiência é realizada de forma conjunta, de maneira que, caso não sejam apresentados recursos, o réu pode ser julgado pelo Tribunal do Júri ainda nesta quarta-feira, tão logo seja encerrada a audiência de instrução. A iniciativa de realizar a audiência conjunta partiu do juiz do caso, Abner Apolinário, que apontou a importância do papel do Estado na repressão desse tipo de caso.

A promotora Rosemery Souto Maior disse estar otimista com a possível rápida resolução do caso através da audiência conjunta, que nunca foi feita no Brasil, embora seja permitida pela legislação. O caso completa três meses e dez dias nesta quarta-feira. O réu confessou, durante a audiência, que disparou intencionalmente contra vítima, enquanto Ana Paula voltou atrás na denúncia contra o ex-companheiro, mas foi desmentida pelas testemunhas.

De acordo com a promotoria, a vítima, quando acordou, foi impedida de sair do quarto e obrigada a sentar no chão ao lado do guarda-roupa, sendo baleada na boca nesse momento. Trancada no cômodo, ela teve que fugir pelo cobogó da residência, abrindo espaço entre as telhas. Sangrando ,a vítima foi socorrida na rua por populares da comunidade Roda de Fogo, na Zona Oeste do Recife – que a levaram a uma Unidade de Pronto Atendimento – enquanto dois policiais que circulavam pela região realizavam buscas pelo suspeito, encontrando-o ainda armado em cima de uma árvore e efetuaram o flagrante.

A promotoria informou que a vítima teria dito que o disparo atingiu a boca dela, quebrando alguns dente e com o projétil alojado no maxilar. Também foi dito pela promotoria que foram encontrados com o réu drogas e papelotes para comercialização de entorpecentes. O advogado de defesa, Flávio Melo, disse que ouviu apenas o réu e que, portanto, não pode especular sobre o acontecido até que seja feita a escuta das demais partes na audiência.

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