TI Sufoco: passageiros precisam de quatro ônibus para ir de Camaragibe até a UFPE

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Como é sair de Camaragibe e chegar na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife, de ônibus? O TI Sufoco mostra, nesta quarta-feira (20), o que passa quem depende do transporte público e do Terminal Integrado para fazer o percurso. A viagem é longa: são quatro ônibus, três terminais integrados e mais de duas horas para fazer o trajeto.

(Série TI Sufoco mostra o desafio diário de quem precisa utilizar o transporte público no Grande Recife. São 26 terminais integrados, que levam o pernambucano ao trabalho, à escola, ao custo de uma única passagem. E qual o custo humano para quem depende do transporte público?)

Começamos a nossa viagem às 6h10, na Rua Arapongas, no bairro Viana, em Camaragibe. A parada de ônibus estava praticamente vazia – apenas uma mulher esperando. Cinco minutos depois, com a chegada do micro-ônibus da linha TI Cosme e Damião/TI Camaragibe, outros passageiros chegaram.

Apesar de o coletivo ser menor, a viagem foi tranquila e durou apenas cinco minutos, chegando ao Terminal Cosme e Damião às 6h15. O TI, que recebe 15 mil passageiros por dia, também faz integração com o metrô. No local, a espera para seguir para Camaragibe foi mais demorada – cerca de 20 minutos. Lá, o ônibus saiu cheio, um contraponto à tranquilidade do primeiro coletivo que pegamos.

“Para sair do bairro de Viana é muito tranquilo, mas quando chegamos aqui em Cosme e Damião e seguimos para outro local, já começamos a enfrentar ônibus cheios”, contou a estudante Maria Eduarda.

O ônibus chegou no Terminal de Camaragibe às 6h50. O TI é maior do que o anterior e, por dia, cerca de 40 mil passageiros passam pelo local. Uma das linhas mais movimentadas do terminal é a que segue para a Integração da Macaxeira, na Zona Norte do Recife.

O primeiro ônibus saiu lotado, às 7h07. Menos de cinco minutos depois, um segundo ônibus se aproximou, mas também saiu lotado. Depois de 25 minutos na fila, subimos no terceiro ônibus da Linha TI Camaragibe/ TI Macaxeira.

“Isso aqui ainda é pouco. Tem dia que vai tão lotado, tão lotado, que até a porta vai forçada. É um absurdo. Como é que um ônibus já sai do terminal lotado? Quem pega ele mais na frente, já sofre em pé”, disse o estudante Júlio Francisco.

Desembarcamos no Terminal da Macaxeira às 7h55. O TI é o maior de todos que passamos e recebe 60 mil passageiros por dia. O ônibus que passa na UFPE é o Barro Macaxeira/BR-101. Quando chegamos, a fila era enorme. No final dela, encontramos Raisseli Laís, que contou sua odisseia até chegar a universidade

“O trabalhador, o estudante, tem que acordar várias horas antes para poder ir ao seu compromisso. É um percurso enorme, num transporte público de má qualidade. O transporte não é bom e a passagem ainda aumentou”, comentou a estudante de Serviço Social se referindo ao aumento de 7,07% aprovado em 28 de fevereiro.

Ainda no ônibus Barro/Macaxeira, encontramos a analista de licitação, Ana Gabriela, que contou que o sufoco dela começou bem antes daquele ônibus. “Peguei um ônibus para o Terminal de Pelópidas Silveira. De lá, peguei para Macaxeira, mas o meu ônibus quebrou na BR, na chuva. Mais de duas horas de viagem para chegar e ir em pé”, pontuou.

“Geralmente, eu pego bem mais lotado que isso aqui. Agora, pagamos uma passagem cara, quase cinco reais, num ônibus lotado, que vive quebrando e não tem ar-condicionado”, acrescentou Ana Gabriela.

Às 8h35, nos aproximamos do nosso destino, a UFPE, e a estudante que Raisseli, que encontramos no Terminal da Macaxeira, nos relata que chegou mais uma vez atrasada para a aula.

“Eu tenho que chegar antes das 8h, mas nunca consigo. O fluxo do trânsito é muito intenso e mesmo essa linha (Macaxeira/BR-101) sendo mais rápida que a linha Barro/ Várzea eu não consigo chegar no horário”, contou.

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