Trezentas famílias são retiradas de terreno em ação determinada pela Justiça

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Trezentas famílias foram retiradas, na manhã desta quinta-feira (24), de um terreno particular no bairro de Jardim São Paulo, na Zona Oeste do Recife. Os moradores da área ocupada fizeram um protesto, interditando uma via com entulhos e fogo, para tentar evitar a reintegração de posse, determinada pela Justiça de Pernambuco.

Segundo a Polícia Militar, a ação começou por volta das 6h, na Rua Tavares de Holanda, perto do Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa). O Corpo de Bombeiros foi acionado às 6h55 e finalizou a ocorrência às 10h. A Defensoria Pública de Pernambuco acompanhou a ação.

O defensor público José Fernandes Debli, que esteve na reintegração de posse, afirmou, por telefone, que a remoção das famílias foi pacífica. “Não houve confronto e os moradores estão procurando local para se abrigar”, declarou.

Para os moradores da ocupação, a reintegração de posse foi realizada de surpresa. Segundo estimativas das famílias, cerca de 1.200 pessoas residiam no local.

Muitas famílias não sabiam dizer para onde poderiam ir. “Estou revoltada e chorei muito. Estou preocupada com a situação de crianças e idosos. O povo saiu correndo para tentar tirar um pouco das coisas poara recomeçar a vida”, afirmou a dona de casa Rafaela Silva.

Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), a ação de reintegração de posse cumpriu um pedido feito pelos proprietários do terreno. A liminar, informou o tribunal, foi expedida pelo juiz Arnóbio Amorim, da 18ª Vara Cível do Recife, na terça-feira (22).

O magistrado determinou a utilização de “todo o aparato necessário” para o cumprimento da ordem. O juiz apontou que os proprietários do terreno “comprovaram gastos volumosos para auxiliar na diligência.”

No despacho, o magistrado afirmou também que “mantinha a decisão, sem dar mais prazos para a desocupação voluntária.”

Segundo o defensor público José Fernandes Debli, a Justiça havia determinado a desocupação do terreno desde agosto de 2018. As famílias disseram ter chegado ao local em novembro de 2017.

No dia 8 de janeiro deste ano, disse o defensor, houve uma reunião entre representantes dos proprietários e das famílias para tentar um acordo. Como não foi possível evitar o despejo, a defensoria passou a acompanhar o caso.

O defensor informou, ainda, que no terreno existe um galpão, que estava alugado, e casas de alvenaria. “Os moradores que ocuparam a área disseram que uma pessoa se apresentou como proprietária e permitiu que eles fizessem as construções”, observou.

José Fernando disse que a preocupação, agora, é encontrar uma forma de ajudar as famílias despejadas. “Nesta quinta, não havia representantes do poder público para fazer cadastramento de moradores. Por isso, vamos tentar conseguir o auxílio-moradia”, afirmou.

O advogado Ikaro Marques, que defende os donos do terreno, afirmou que ação foi necessária, uma vez que a ocupação era irregular. “Estava muito perigoso e virou local de venda de drogas”, declarou.

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