Usuários recifenses de Uber denunciam cancelamento de perfis

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Usuários recifenses da empresa de transporte por aplicativoUber denunciaram ao DE OLHO EM PERNAMBUCO nesta semana que tiveram suas contas canceladas sem justificativa aparente. Em sua maioria homens gays, os clientes apontam que podem estar sendo vítimas de uma onda de preconceito de alguns condutores. Um desses passageiros chegou a usar as redes sociais para lamentar ter sido pego de surpresa com sua exclusão do app diante da baixa pontuação dada pelos motoristas. Na sequência do post, vários outros comentários de homossexuais e transexuais com narrativas semelhantes. O desabafo teve quase 500 interações e 40 compartilhamentos.

“Há uns meses, eu estava usando bastante o Uber, quase diariamente. E eu sempre via as avaliações sendo baixas porque eu ficava dentro do carro até ele finalizar a corrida. Colocava nota baixa, normalmente apenas uma estrela. Por isso, eu sempre vinha acompanhando a minha nota. Quando eu comparava com a de outros amigos era assustador. Até porque nunca fiz nada. Entrava e saia calado, ou dava bom dia, boa tarde ou boa noite”, comentou o publicitário Orlando Dantas, 25 anos. Há cerca de dez dias ele precisou do serviço e percebeu que o sistema não estava funcionando. Depois de várias tentativas, o mesmo problema, até ter a certeza que tinha sido excluído. Situação parecida passou o designer Marcelo Rodrigues, 24. “Comecei a notar que minha nota vinha gradativamente diminuindo, sem nenhum motivo aparente. Houve até corridas em que o motorista me alertou da minha nota baixa. Cheguei a perguntar para outros amigos se isso era normal. Até que outros amigos LGBT alegaram estar tendo o mesmo problema, da nota baixa.”, comentou. A avaliação dele era de 4,37, mas as dos amigos heterossexuais eram entre 4,80 e 4,90.

Assim como eles, o estudante Hassan Albuquerque, 23, também passou pelo mesmo constrangimento. “Sempre segui as orientações da própria empresa para ser um passageiro “exemplar”: Nunca deixei nenhum motorista esperando, nunca tive problema com pagamentos, sempre respeitei os motoristas e muitas vezes até puxava assunto para não ser um “passageiro chato”. Eu achava que a média baixa poderia ser por dois motivos: por eu morar em Pau Amarelo, um bairro longe do centro do Recife; ou por ser gay e afeminado. Depois de ver alguns relatos de outras pessoas LGBT, acabei concluindo que o motivo seria o segundo mesmo”, lamentou.

Em nota, a Uber afirma que não tolera nenhum tipo de discriminação e encoraja que usuários e motoristas denunciem qualquer prática nesse sentido. A assessoria da empresa informou que todas as informações sobre as iniciativas no combate à homofobia estão disponíveis no site uber.com/info/uberpride-cartilha-dicas-lgbti-motoristas-parceiros. Com relação aos casos de Marcelo e Orlando, a empresa disse ter entrado em contato com um dos usuários (Orlando) e esclarecido o real motivo do bloqueio temporário. Ele foi feito automaticamente devido a contestações seguidas de valores das viagens, o que gera bloqueio por motivo de segurança. O outro usuário (Marcelo) citado pela reportagem segue com a conta ativa, podendo utilizá-la normalmente. A empresa acrescenta que os casos devem ser avaliados separadamente. Para isso, os usuários devem permitir verificação de dados pessoais para checagem do problema, como Marcelo e Orlando fizeram.